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Deolina Alice de Barros a mulher de fé que transformou promessa em capela

Uma história de fé, devoção e compromisso com Nossa Senhora do Carmo e da Moça, que atravessa gerações em Serra Talhada

 

Após a morte trágica da jovem Maria do Carmo, em 1966, começou a surgir, entre as comunidades católicas dos bairros São Cristóvão e Nossa Senhora da Conceição, um movimento de fé e devoção que daria origem aos tradicionais novenários de Nossa Senhora do Carmo.

 

Naquela época, Serra Talhada ainda vivia um período de desenvolvimento de sua rede elétrica. Diferentemente dos dias atuais, não havia postes de iluminação pública espalhados pelas ruas em grande quantidade.

 

Por isso, os novenários geralmente aconteciam durante a noite em uma esquina que contava com a iluminação de um poste público, localizada a poucos metros do local onde havia acontecido a trágica morte da jovem Maria do Carmo.

 

Os novenários eram realizados tradicionalmente entre os meses de maio e agosto, reunindo moradores, devotos e integrantes das comunidades católicas dos dois bairros.

 

A mudança do local

 

Em 1986, o terreno onde aconteciam as celebrações foi adquirido pelo grupo empresarial Mercantil Santana.

 

Com a mudança, a comunidade católica responsável pelo novenário precisou procurar um novo espaço para manter viva a tradição.

 

O novo local escolhido ficava na esquina da Rua Isidoro Conrado de Sá, no encontro com a Rua Antônio Tomé de Souza.

 

O critério para a escolha tinha uma característica semelhante ao antigo espaço: além de ser um local amplo, também contava com um poste de iluminação pública, algo importante para a realização das celebrações durante a noite.

 

O guardião da imagem de Nossa Senhora do Carmo

 

Durante aquele período, existia uma tradição entre os devotos: a imagem de Nossa Senhora do Carmo ficava sob a responsabilidade de um guardião, escolhido periodicamente pela própria comunidade responsável pelo novenário.

 

Era uma função de confiança, pois cabia ao guardião zelar pela conservação e segurança da imagem religiosa.

 

Porém, em determinado momento, por circunstâncias que fazem parte da memória daquela comunidade, aconteceu um acidente com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, que acabou se quebrando em vários pedaços.

 

Foi então que a história de uma mulher de fé começou a ganhar um novo capítulo.

 

O surgimento da promessa de Dona Deolina

 

Após o acidente, o então guardião entregou à devota Deolina Alice de Barros a imagem danificada e deformada.

 

Ao receber a estátua, Dona Deolina teria questionado a comunidade da época:

 

“Por que vocês não me deram a responsabilidade da estátua quando ela estava intacta?”

 

Aquela pergunta marcaria o início de uma promessa.

 

Mesmo diante da situação em que a imagem se encontrava, Dona Deolina não abandonou a devoção.

 

Ela colocou a imagem dentro de uma garrafa de água sanitária, utilizando areia no fundo para dar sustentação, e cuidadosamente colou os pedaços da imagem da Santa.

 

Era uma solução simples, mas carregada de significado.

 

Uma promessa feita por uma mulher de fé

 

Mesmo com idade avançada e enfrentando algumas dificuldades de saúde, Dona Deolina Alice de Barros fez uma promessa: construiria um local fixo, digno e seguro para abrigar a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

 

Com determinação, começou a transformar a promessa em realidade.

 

Pouco tempo depois, Dona Deolina comprou do senhor Antônio de Pio um terreno localizado sobre o lajedo.

 

Foi naquele espaço que ela iniciou a construção da capela, contando com a permissão da Igreja Católica e com a colaboração das comunidades católicas dos bairros São Cristóvão e Nossa Senhora da Conceição, além do apoio de comerciantes locais.

 

Cada ajuda representava um passo a mais para transformar a promessa daquela mulher em realidade.

 

A promessa foi cumprida

 

Dona Deolina Alice de Barros conseguiu concluir a construção da capela aproximadamente no final do ano de 1997.

 

Assim, aquilo que começou com uma imagem quebrada dentro de uma garrafa transformou-se em um espaço permanente de oração e devoção.

 

Pouco tempo depois, em 1998, Dona Deolina faleceu.

 

Mas partiu deixando para a comunidade uma marca que permanece até os dias atuais: a capela construída a partir de uma promessa de fé, coragem e perseverança.

 

Sua história representa muito mais do que a construção de um pequeno templo religioso. Representa a força de uma mulher que, diante de uma dificuldade, encontrou na fé a motivação para agir.

 

Dona Eronides assume a responsabilidade

 

Após o falecimento de Dona Deolina Alice de Barros, Dona Eronides Pereira de Barros Nogueira assumiu a responsabilidade e o compromisso de cuidar da capela de Nossa Senhora do Carmo.

 

Com o passar dos anos, Dona Eronides transferiu essa responsabilidade para o novo guardião, o senhor João “Faz Tudo”.

 

Na época, João ficou satisfeito e feliz por ter sido escolhido para assumir aquela missão.

 

E foi durante sua gestão que a capela passou por uma grande reforma e transformação.

 

João “Faz Tudo” e a reforma da capela

 

Muitos dos trabalhos realizados durante a reforma foram executados pelas próprias mãos de Seu João “Faz Tudo”.

 

A capela foi ampliada, a escadaria foi reformulada e novos elementos foram acrescentados à estrutura.

 

Também foi dele a iniciativa de colocar, na parte frontal da capela, uma cruz de ferro com o nome “Nossa Senhora do Carmo e da Moça”, fazendo referência à jovem Maria do Carmo, cuja morte, em 1966, está ligada à origem dessa tradição religiosa.

 

João “Faz Tudo”, que já estava aposentado naquela época, também participou da elaboração do novo formato da capela, dos desenhos presentes na fachada e da renovação do piso.

 

Para realizar esse trabalho, contou novamente com o apoio das comunidades católicas dos bairros São Cristóvão e Nossa Senhora da Conceição, além de comerciantes locais e familiares.

 

Uma tradição que continua viva

 

Atualmente, a tradição permanece viva.

 

Todos os anos, especialmente durante o mês de julho, acontece o tradicional Novenário de Nossa Senhora do Carmo e da Moça.

 

A celebração reúne centenas de fiéis dos bairros São Cristóvão e Nossa Senhora da Conceição, além de devotos e integrantes de diferentes grupos religiosos de Serra Talhada.

 

Mais do que uma celebração religiosa, o novenário também representa um importante capítulo da memória comunitária desses dois bairros.

 

A história de Dona Deolina não pode ser esquecida

 

A trajetória de Dona Deolina Alice de Barros merece ser lembrada pelas novas gerações.

 

Ela recebeu uma imagem quebrada e, em vez de enxergar apenas os pedaços de uma estátua, enxergou uma missão.

 

Com uma simples garrafa, areia, cola e muita fé, começou a cuidar daquela imagem enquanto alimentava um sonho maior: construir um lugar onde Nossa Senhora do Carmo pudesse permanecer protegida e venerada.

 

Sua promessa tornou-se uma capela.

 

Sua fé transformou-se em patrimônio da comunidade.

 

E sua atitude deixou uma mensagem que atravessou gerações: quando uma pessoa acredita verdadeiramente em uma causa, suas ações podem deixar marcas muito além de sua própria existência.

 

Hoje, quando os sinos, as orações e os cânticos do novenário reúnem novamente os moradores dos bairros São Cristóvão e Nossa Senhora da Conceição, a história de Dona Deolina continua presente.

 

A capela é também uma lembrança viva de uma mulher que acreditou, perseverou e cumpriu sua

promessa.

 

Uma mulher que merece ter seu nome preservado na história religiosa, cultural e comunitária de Serra Talhada.

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